VIDE: OGDOADA, NOMES DE DEUS, DHIKR, LEMBRANÇA DE DEUS
Na Igreja Ortodoxa é conhecida sob o nome de "Oração de Jesus" e é muito praticada não apenas em Mosteiros como por exemplo no Monte Sinai e no Monte Athos, mais igualmente entre leigos. Muitas gerações de cristãos ocidentais, entretanto,têm recorrido à invocação do Santo Nome. Esta devoção foi disseminada, entre eles, por Bernardo de Clairvaux (séc.XII) e Bernardino de Sena (séc.XIV).
1. Podemos invocar o Nome de Jesus em diversos contextos.
Cada pessoa há de encontrar a forma mais apropriada à sua oração individual. Contudo, qualquer que seja a forma usada, o coração e o centro da invocação devem ser o próprio santo Nome, a palavra Jesus. Aí reside toda a força da invocação.
2. O Nome de Jesus tanto pode ser invocado sozinho como estar inserido em uma frase mais ou menos desenvolvida. No Oriente a forma mais comum é: "Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade de mim, um pecador". Poderíamos simplesmente dizer: "Jesus Cristo" ou "Senhor Jesus". A invocação pode ser reduzida a uma única palavra: "Jesus".
3. Esta última forma — Jesus — é a mais antiga forma de invocação do Nome. É a mais abreviada, mais simples e fácil. Sem menosprezar as outras fórmulas, sugerimos que apenas a palavra Jesus seja usada.
4. Quando falamos da Invocação do Nome referimo-nos à repetição devota e frequente do Nome em si, da palavra Jesus sem acréscimos. O Santo Nome é a oração.
5. O Nome de Jesus pode ser pronunciado ou pensado em silêncio. Em ambos os casos há uma invocação real do Nome, vocal no primeiro caso e puramente mental no segundo. Esta oração permite fácil transição da oração vocal à oração mental. Mesmo a repetição vocal do Nome, se for lenta e meditada, nos conduz à oração mental e predispõe a alma à contemplação.
A PRÁTICA DA INVOCAÇÃO DO NOME
6. A invocação do Nome pode ser praticada em qualquer lugar e a qualquer momento. Podemos pronunciar o Nome de Jesus nas ruas, no local de nosso trabalho, em nosso quarto, na Igreja etc. Podemos repetir o Nome enquanto andamos. Além do uso livre do Nome, não determinado ou limitado por alguma regra, parece-nos indicado consagrar certos momentos e locais à invocação "regular" do Nome.
Quem estiver adiantado nesta forma de oração pode prescindir de tais cuidados. Entretanto constituem condição quase necessária para os principiantes.
7. Se reservarmos diariamente certo tempo à invocação do Nome (além da invocação "livre" que deveria ser feita com a maior frequência possível), esta deveria ser praticada — se as circunstâncias o permitirem — em local isolado e tranquilo.
"Tu, quando orares, entra em teu aposento e, fechando a porta, ora a Teu Pai ocultamente" (Mt 6,6).
A postura corporal não importa muito. Pode-se caminhar, estar sentado, recostado ou de joelhos. A melhor postura é a que permite maior quietude física e concentração profunda. Pode servir de ajuda uma atitude física que expresse humildade e adoração.
8. Antes de começar a pronunciar o Nome de Jesus, estabeleça paz e recolhimento no seu interior e peça inspiração e guia ao Espírito Santo. "Ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor se não for pelo Espírito Santo" (ICor 12,3). O Nome de Jesus não pode realmente entrar em um coração que não esteja pleno pelo sopro purificador e pela chama do Espírito Santo. O próprio Es-, pírito soprará e acenderá em nós o Nome do Filho.
9. Então simplesmente comece. Para caminhar temos que dar o primeiro passo; para nadar precisamos nos atirar às águas. Ocorre o mesmo com a invocação do Nome. Comece a pronunciá-lo com adoração e amor. Apegue-se a ele. Repita-o. Não pense que está invocando o Nome: pense apenas no próprio Cristo. Pronuncie seu Nome lenta, suave e serenamente.
10. Um erro comum aos principiantes consiste em associar a invocação do Santo Nome à intensidade profunda ou emoção. Tentam pronunciá-lo com grande vigor. Mas o Nome de Jesus não deve ser gritado ou formulado com violência, nem mesmo interiormente. Ao ser ordenado a Elias que se apresentasse diante do Senhor, houve um vento forte e impetuoso, mas o Senhor não estava no vento; e após o vento, um terremoto, mas o Senhor não estava no terremoto; e após o terremoto um fogo, mas o Senhor não estava no fogo. Após o fogo veio o sussurro de uma brisa suave. "E foi assim que Elias, ao ouví-lo, cobriu sua face com o manto, saiu e pos-se à entrada da gruta..." (lRs 19,13).
Esforço árduo e busca de intensidade serão em vão. A medida que repetir o Santo Nome, reúna ao redor dele, serenamente, pouco a pouco, seus pensamentos, sentimentos e vontade, centralize nele todo o seu ser. Deixe o Nome penetrar em sua alma como uma gota de óleo se expande e impregna um tecido. Não deixe escapar nada de seu ser. Entregue seu ser completo e encerre-o no Nome.
11. Mesmo no próprio ato de invocação do Nome, sua repetição literal não deveria ser contínua. O Nome pronunciado poderia extender-se e prolongar-se por segundos ou minutos de repouso e atenção silenciosa. A repetição do Nome pode ser comparada ao bater de asas pelo qual um pássaro se eleva no ar. A invocação nunca deve ser trabalhosa, forçada ou apressada, nem recordar violento bater de asas. Deve ser um movimento suave, livre e — conferindo à palavra seu significado mais profundo — gracioso. Ao alcançar a altura desejada, o pássaro desliza em seu voo e apenas bate suas asas de vez em quando a fim de permanecer no ar. Assim, a alma, tendo atingido o pensamento de Jesus e plena de sua recordação pode interromper a repetição do Nome e descansar em Nosso Senhor. A repetição será retomada apenas quando outros pensamentos ameaçarem afastar o de Jesus. Então, a invocação começará outra vez a fim de ganhar novo ímpeto.
12. Continue esta invocação pelo tempo que desejar ou puder. A oração é naturalmente interrompida pelo cansaço. Não insista. Mas retome-a a qualquer momento, onde quer que esteja, ao sentir-se inclinado a isso. A seu devido tempo descobrirá que o Nome de Jesus virá espontaneamente a seus lábios e quase continuamente estará presente em sua mente, de forma tranquila e latente. Mesmo seu sono estará impregnado com o Nome e a memória de Jesus. "Eu dormia mas meu coração velava" (Ct 5,2).
13. Quando estamos ocupados na invocação do Nome, é natural que tenhamos esperança e procuremos atingir algum resultado "positivo" e "tangível", isto é, sentir que estabelecemos um contato real com a pessoa de Nosso Senhor: "Se eu apenas tocar sua veste ficarei curada" (Mt 9,21). Esta feliz experiência é o cume desejado da invocação do Nome: "Eu não te deixarei se não me abençoares" (Gn 32,27). Devemos, contudo, evitar o anelo ansioso por estas experiências: a emoção religiosa pode facilmente tornar-se um disfarce de uma forma perigosa de avareza e sensualidade. Não pensemos que se passamos certo tempo invocando o Nome sem "sentir" nada, que perdemos nosso tempo em um esforço infrutífero. Ao contrário, esta oração aparentemente estéril pode ser mais agradável a Deus que nossos momentos de arrebatamento, porque está purificada de qualquer busca egoísta de satisfação espiritual. É a oração da vontade simples e nua. Deveríamos, portanto, perseverar em estabelecer cada dia um tempo regular e fixo para a invocação do Nome, mesmo que esta oração nos pareça deixar frios e áridos; este esforço sério da vontade, essa sóbria "espera" do Nome não deixará de trazer-nos bênção e força.
14. Além do Mais, a invocação do Nome raramente produz um estado de aridez. Aqueles que possuem alguma experiência desta forma de oração concordam que frequentemente vem acompanhada por um sentimento profundo de alegria, ardor e luz. Tem-se a impressão de mover-se e caminhar na luz. Nesta oração não há nada pesado, aborrecido, forçado. "Teu Nome é como um óleo que se derrama... Arrasta-me contigo, corramos"! (Ct 1,3-4).
O que podemos dizer com sobriedade e verdade é o seguinte. A invocação do Nome de Jesus simplifica e unifica nossa vida espiritual. Oração nenhuma é mais simples que esta "oração de uma palavra" em que o Santo Nome se converte no único foco de toda nossa vida. Possui um poder de unificação e integração. A personalidade dividida que poderia dizer: "Meu nome é Legião porque somos muitos" (Mc 5,9) recuperará sua integridade no sagrado Nome: "Unifica meu coração para temer teu Nome" (SL 86,11).
A invocação do Nome de Jesus não deve ser entendida como uma "via mística" capaz de dispensar-nos das purificações ascéticas. Não há atalhos na vida espiritual. O caminho do Nome implica um vigiar constante de nossa almas. O pecado — hamartia — tem de ser evitado. Há apenas duas atitudes possíveis a este respeito. Alguns guardam sua inteligência, memória e vontade para dizer o Santo Nome com maior recolhimento e amor. Outros dirão o Santo Nome a fim de estar mais recolhidos e dar-se de todo coração ao amor que professam. Para nós o útimo é melhor caminho.
Com frequência nossas orações são limitadas à petição, intercessão e arrependimento. Como podemos ver o Nome de Jesus pode ser usado de todas essas formas. A oração desinteressada, porém, o louvor dado a Deus devido à sua própia excelência, o olhar dirigido a ele com maior respeito e afeto, a exclamação de Tomé: "Meu Senhor e meu Deus!" devem vir em primeiro lugar.
Isto conduz à adoração pura. Ao pronunciar o Nome, deveríamos responder à presença de Nosso Senhor. "Prostando-se, adoraram-no" (Mt 2,14). Pronunciar refletidamente o Nome de Jesus é conhecer que Nosso Senhor é tudo e que nós não somos nada. Neste conhecimento devemos adorar e dar culto. "Por isso Deus o exaltou grandemente e lhe deu o Nome que está sobre todo nome, de modo que ao Nome de Jesus se dobre todo o joelho" (F 2,8-10).
O Nome de Jesus traz-nos mais do que sua presença. Jesus está presente em Seu Nome como um Salvador, porque a palavra "Jesus" significa isto: salvador ou salvação.
O Nome de Jesus não apenas nos ajuda a obter a satisfação de nossas necessidades: "Se pedirdes alguma coisa ao Pai em meu Nome, Ele dará. Até agora nada pedistes em meu Nome. Pedi e recebereis" (Jo 16,23-24). O proprio Nome de Jesus já supre nossas necessidades.
O Nome de Jesus traz vitória e paz quando somos tentados. Um coração já pleno com o Nome e a presença de Nosso Senhor não deixaria entrar nenhuma imagem ou pensamento pecaminoso. Contudo somos fracos e, com freqüência, nossas defesas sucumbem e, então, a tentação se levanta em nós como águas tempestuosas. Em tal caso, não considere a tentação, não discuta com seu próprio desejo, não pense sobre a tempestade, não olhe para si próprio. Olhe para Nosso Senhor, segure-se Nele, invoque seu Santo Nome.
A proporção que o nome de Jesus cresce dentro de nós, crescemos no conhecimento dos divinos mistérios. O Santo Nome não é apenas um Mistério de salvação, nem a satisfação de nossas necessidades, o alívio das tentações, o perdão de nossos pecados. A invocação do Nome é também um meio de aplicar a nós o Mistério da Encarnação. É poderoso meio de união com Nosso Senhor. Estar unido a Cristo é maior benção que estar em sua presença ou ser salvo por meio dele. A união é superior à presença e à meditação.
Existe alguma analogia entre a Encarnação da Palavra e a do Santo Nome em nós. A Palavra se fez carne. Jesus se fez Homem. A realidade interior do Nome de Jesus, tendo entrado em nossas almas, inunda nossos corpos. “Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo” (Rm 13,14). O conteúdo vivo do Nome penetra fisicamente em nós.
O uso do Santo Nome não só renova o conhecimento de nossa própria união com Jesus em sua Encarnação. O Nome é também um instrumento pelo qual obtemos uma visão mais ampla da relação de Nosso Senhor com tudo o que Deus fez. O Nome Jesus ajuda-nos a transfigurar o mundo em Cristo (sem qualquer confusão panteísta). Este é o outro aspecto da invocação do Nome: é um método de transfiguração.
É sobretudo com relação aos homens que podemos exercer um ministério de transfiguração. Cristo ressuscitado apareceu diversas vezes sob um aspecto distinto daquele que os discípulos conheciam: “... Ele se manifestou de outra forma ...” (Mc 16,12), a forma de um peregrino na estrada de Emaús, ou de um jardineiro perto do túmulo, ou de um desconhecido em pé às margens do lago.
Agora o Nome de Jesus é um meio concreto e poderoso de transfigurar os homens em sua realidade oculta, mais profunda e última. Deveríamos aproximar-nos de todos os homens e mulheres — na rua, nas lojas, no escritório, na fábrica, nos meios de transporte, na fila e especialmente aqueles que nos parecem irritados e antipáticos, com o Nome de Jesus em nossos corações e nossos lábios. Pronunciemos Seu Nome sobre todos eles, porque seu nome real é o Nome de Jesus.
46. Nossa alma é também uma sala, onde uma Ceia invisível do Senhor pode ser celebrada a qualquer momento. Nosso Senhor nos diz secretamente como o fez então: "Desejei ardentemente comer esta páscoa convosco..." (Lc 22,15). "Onde está a sala em que comerei a páscoa com meus discípulos?" (Lc 22,11). "... preparai ali" (Lc 22,12).
Estas palavras não se aplicam unicamente à Ceia do Senhor visível. Elas se aplicam também à sua Eucaristia interior que, embora apenas espiritual, é muito real. Na Eucaristia visível, Jesus é oferecido sob as espécies do pão e do vinho. Na Eucaristia que tem lugar em nós Ele pode ser significado e designado apenas por seu Nome. Dessa forma convertemos a invocação do Santo Nome em Eucaristia.
A Comunhão espiritual do divino pão da vida, do Corpo e Sangue do Salvador, é mais fácil quando expressa através do Santo Nome, recebendo do Nome de Jesus sua forma, sua estrutura e apoio. Podemos pronunciar o Nome de Nosso Senhor com a intenção especial de nele alimentar nossa alma, ou melhor, no Corpo Sagrado e Sangue precioso, dos quais tentamos nos aproximar por seu intermédio. Esta comunhão pode ser renovada sempre que desejarmos. Longe de nós o erro de tratar superficialmente ou diminuir a estima pela Ceia do Senhor como se pratica na Igreja. Espera-se, entretanto, que todo aquele que seguir o caminho do Nome possa experimentar que o Nome de Jesus é um alimento espiritual que transmite às almas famintas o pão da vida. "Senhor, dá-nos sempre deste pão" (Jo 6,34).
A Eucaristia é uma antecipação do reino eterno. O uso " eucarístico" do Nome de Jesus leva-nos a seu uso "escatológico", isto é, à invocação do Nome em conexão com o "fim" e com a Vinda de Nosso Senhor. Cada invocação do Santo Nome deveria ser uma ardente aspiração à nossa reunião final com Jesus em seu reino celestial. Tal aspiração está relacionada com o fim do mundo e com a vinda triunfal do Cristo, porém, possui uma relação mais estreita com as ocasionais irrupções de Cristo (que deveríamos pedir serem mais e mais freqüentes) em nossa existência terrena, com suas maravilhosas e violentas aparições em nossas vidas diárias e, mais ainda, com a vinda de Cristo a nós por ocasião de nossa morte. Há uma forma de dizer "Jesus" que é uma preparação para a morte, uma aspiração à morte concebida como a aparição longamente esperada do Amigo, o qual "embora não o tenhais visto, amais" (lPd 1,8), um chamado para este encontro supremo, e desde já um lançar de nosso coração para além da barreira. Nesta maneira de dizer "Jesus" estão implícitos a exclamação ardente de Paulo: "Quando Cristo, que é nossa vida se manifestar..." (Cl 3,4) e o grito de João: "Vem, Senhor Jesus" (Ap 22,20).
54. Quando Jesus foi batizado, "o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corporal, como pomba" (Lc 3,22). A descida da pomba é a melhor expressão da atitude do Espírito para com Nosso Senhor.
Enquanto pronunciamos o Nome de Jesus tentemos corresponder, se assim podemos falar, ao movimento do Espírito em direção a Jesus, com o Espírito dirigido pelo Pai a Jesus, olhando para Jesus, vindo até Jesus. Unamo-nos — tanto quanto uma criatura pode unir-se a uma ação divina — a este vôo da pomba (" Quem me dera ter asas como pomba...!" Sl 55,7) e aos sentimentos de ternura expressos por sua voz: "...Ouve-se o canto da rola em nosso campo" (Ct 2,12). Antes de "interceder por nós com gemidos inefáveis" (Rm 8,26) — o Espírito eternamente suspirou e suspira por Jesus. O livro do Apocalipse mostra-nos o Espírito, junto com a Esposa (isto é, a Igreja) clamando a Nosso Senhor. Ao proferirmos o Nome de Jesus, podemos concebê-lo como anelo e aspiração do Espírito Santo, como expressão do desejo e ternura do Espírito. Assim seremos admitidos (segundo nossa frágil capacidade humana) no mistério da relação amorosa entre o Espírito Santo e o Filho.
57. "No princípio era o Verbo" (Jo 1,1). A pessoa de Jesus é a Palavra viva que o Pai pronuncia eternamente. Como o Nome de Jesus, por especial dispensação divina, tem sido escolhido para significar a Palavra viva proferida pelo Pai, podemos dizer que seu Nome participa, de alguma forma, desta expressão eterna do Pai.
De forma algo antropomórfica (fácil de se corrigir), poderíamos dizer que o Nome de Jesus é a única palavra humana que o Pai pronuncia eternamente. O Pai gera eternamente sua Palavra. Ele próprio se dá eternamente na geração da Palavra. Se nos empenhamos em nos aproximar do Pai através da invocação do Nome de Jesus, ao pronunciar o Nome temos primeiro que contemplar Jesus como o objeto do amor e doação pessoal do Pai. Temos que sentir, de nossa maneira limitada, a efusão deste amor e deste dom sobre o Filho. Já vimos a pomba descendo sobre Ele. Falta-nos ouvir a voz do Pai que profere: "Tu és o meu Filho bem amado; eu hoje te gerei" (Lc 3,22).
61. Esta presença total é mais do que a Presença da proximidade e Presença de vivência a que já nos referimos. É a verdadeira "doação" de todas as realidades às quais nos aproximamos através do Nome — Salvação, Encarnação, Transfiguração, Igreja, Eucaristia, Espírito e Pai. É assim que aprendemos "qual é a largura e o comprimento e a altura e a profundidade..." (Ef 3,18) e que percebemos o que significa "em Cristo recapitular todas as coisas" (Ef 1,10).
62. Esta presença total é tudo. O Nome nada significa sem a Presença. Aquele que é capaz de viver constantemente na presença total de Nosso Senhor não necessita do Nome. O Nome é apenas um incentivo e um sustento à Presença. Virá o tempo, mesmo aqui na terra, em que tenhamos que descartar o próprio Nome e libertarmo-nos de tudo, menos do contato vivo, inominado e impronunciável com a Pessoa de Jesus.